segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meu funeral

Sábado passado tive meu tão sonhado funeral.
Explico:
Não sou do tipo que tem medo de morrer, aliás, sempre curti a idéia, isto não contém nenhum elemento dramático, como talvés possa parecer. Trata-se apenas de uma grande curiosidade.
Hoje de acordo com minha forma de ver, vivemos muitas vidas, todas elas dentro desta mesma que estamos tendo. Ou encarnação como algúns podem preferir chamar.
Como dizia Heráclito, não é possivel entrar no mesmo rio duas vezes, pois da próxima vez que entramos a água que corria naquele momento já foi, ou seja o rio não é mais o mesmo. Da mesma forma nós não somos mais os mesmos.
Pois bem, por divergencia de valores, isto é os meus valores X os valores do grupo escoteiro, eu decidi que estava na hora de deixar o grupo ao qual dediquei quase 8 anos de minha vida. Foi muito bom e não estou reclamando de nada, muito pelo contrário sou grato, mas nos caminhos da vida a minha estrada e a estrada do grupo divergiram.
Assim morreu no Chefe Paulo do Falcão Peregrino. Foi muito dolorido para mim e para minha família, o que eu não imaginava, é que também estava sendo para os escoteiros, para os que haviam sido meus escoteiros e para os pais!
Quem me conhece sabe que não sou flor que se cheire, tenho a delicadeza de uma rocha, chato e intransigente. Mas de alguma forma os escoteiros conseguiram exergar além desta casca grossa. Viram o quanto eu amo tudo isto (plagio não autorizado do Mc Donald's), viram o quanto na verdade sempre fui louco por todos eles. E não se trata de nada nobre não, quero dizer não do meu ponto de vista. Eu adoro se chefe escoteiro(já que não posso mais ser escoteiro) mas eu só sou chefe escoteiro porque eles querem ser escoteiros. É uma bela troca, onde todos saem satisfeitos.
Mas voltemos ao funeral, foi durante o fogo de conselho que encerou as atividades de 2010 do grupo. Logo de cara recebi um livro (O vendedor de sonhos), um isqueiro (sou fumante) e uma fita de cada patrulha! Nossa fiquei muito feliz e envaidecido, mas não parou por ai, pessoas lamentaram realmente a minha saida, e ainda tive mais uma homenagem pública ou melhos duas. Isto no palco. Os escoteiros fizeram uma música e ao final dela um pioneiro que foi meu escoteiro também prestou seu testemunho emocionado. Após isto fui ainda homenageado nos gritos das duas tropas escoteiras. E antes disto, um escoteiro da patrulha Castor havia postado no blog dela uma homenagem( http://gefalcaoperegrino-castor.blogspot.com/2010/11/despedida-do-chefe-paulo.html).
Enfim coisas para qualquer pessoa mais sensível que eu ficar emocionada, bom eu fiquei, mas consegui me conter (besteira minha, mas ainda faço isto, quem sabe um dia eu consiga me libertar deste controle), coisa que tive dificuldade no dia que comuniquei a eles minha "morte".
Em todo caso este epísódio me fez pensar que tenho de colocar este blog para funcionar. Pois eu apesar que não achar que mereça tudo isto, ainda me acho um chefe escoteiro como qualquer outro, mas para receber tanta consideração, devo ter alguma coisa de bom. Inauguro então este espaço com esta história e vou começar a fazer dele um local de dicas e críticas (hummm vindo de mim podem acreditar, acho que vai ser mais pedrada).
Por enquanto deixo um grande abraço a todos, principalmente aos meus escoteiros e ex-escoteiros que me mostraram o quanto vale lutar pelo que acredite ser o correto, mesmo quando se sabe que a batalha está perdida. Perdi a batalha e tive que morrer, mas sei que a semente foi plantada para sempre em grandes corações.
Fiquem muito tranquilos, pois uma nova vida está começando e não pretendo abandonar a luta, apenas vou trava-la em outros campos.

Pessoal, muito obrigado.
Ch. Paulo Sanda
Sempre Alerta Para Servir

PS. Devem ter notado que não disse o nome de nenhum dos escoteiros ou ex-escoteiros, mas não seria justo eu citar algum de deixar de citar outros, pois cada um é muito importante, é único.

2 comentários:

  1. Paulo,

    Recebi uma mensagem ontem que falava de um pai que mandou os quatro filhos olharem uma pereira. Um no inverno, um na primavera, um no verão e por fim, um no outono. Cada um descreveu o que viu e por fim, o pai disse que todos haviam visto a pereira em algum momento mas somente poderiam vê-la por inteiro se acompanhassem todos os momentos, desde a secura do inverno, as possibilidades dos brotos na primavera, a beleza das flores do verão e por fim a fartura dos frutos no outono.

    Concordo com as fases da pereira e também que as fases de um chefe perduram por muitos anos. Talvez possa ter parecido um enterro, mas foi uma homenagem na mente de cada um dos escoteiros, que vivendo e entendendo o chefe duro como rocha, entenderam o cerne caloroso por baixo da casca. Entenderam o bom pensamento e a boa atitude e principalmente a ética em cada um dos gestos. Você pode não estar mais no Grupo Escoteiro fisicamente, mas está dentro da mente e no coração de cada pessoa que foi seu elemento nestes 8 anos de chefia.

    Basta você continuar sendo este Dom Quixote da honra, ética, moral e coerência, para passar por mais outras primaveras, outros anos, pois depois do inverno sempre vem a primavera e o ciclo segue infindável.

    Enterro........ vai se catar foi um renascimento pô!!!

    Atenciosamente,

    Hélio Mogami.

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  2. Hehehe.
    Mogami.
    Obrigado pelas palavras, mas fique tranquilo, para todo renascimento é preciso uma morte.
    E não há maior homenagem do que aqueles prestadas em um funeral.
    Pois são as últimas.

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