terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Escotismo; o que é?
Não poucas vezes, quando estamos de uniforme escoteiro na rua, em alguma atividade externa. Somos interpelados; “Escoteiros, que legal!” . “O que fazem os escoteiros?”.
Alguns vão logo dizendo que os escoteiros aprendem a sobreviver na mata, outros que fazem boas ações, etc.
Outros ainda lembrar da piada:
“Escoteiros – bando de meninos vestidos de palhaços liderados por um palhaço vestido de menino”.
Não tenho a menor intenção de esgotar o assunto, muito menos as piadas. Mas vamos lá.
A alguns “dirigentes” do escotismo adotaram a seguinte forma de descrição:
“O escotismo trabalha o desenvolvimento dos jovens nas áreas Fisica, Intelectual, Caráter, Afetivo, Social e Espiritual.”
Um discurso bonito que parece deixar tudo muito completinho.
Discordo.
Prefiro a definição de Baden Powell ou BP como foi carinhosamente apelidado:
Desejamos para os escoteiros os 3 Hs. Que tornem cidadãos: Happy (felizes), Healthy(saudáveis) e Helpful(útieis).
Simples assim.
E como isto acontece?
Tudo começa na lei e na promessa.
Promessa:
Prometo pela minha honra, fazer o melhor possível para cumprir meus deveres para com Deus e minha pátria, ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer a lei escoteira.
Lei:
I.O Escoteiro tem uma só palavra; sua honra vale mais do que a própria vida.
II.O Escoteiro é leal.
III.O Escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica diariamente uma boa ação.
IV.O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais Escoteiros.
V.O Escoteiro é cortês.
VI.O Escoteiro é bom para os animais e as plantas.
VII.O Escoteiro é obediente e disciplinado.
VIII.O Escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades.
IX.O Escoteiro é econômico e respeita o bem alheio.
X.O Escoteiro é limpo de corpo e alma.
Tudo isto é muito legal, mas de esta promessa e esta lei não são enfiadas goela abaixo nos escoteiros, eles é que a assumem. Mas como assumir um compromisso deste?
O escoteiro incorpora estes valores, pois ele se sente parte disto. Quer viver este ideal pois é legal ser escoteiro. E para ser legal tem que ser divertido.
Neste ponto chegam os “dirigentes” e dizem que as atividades são direcionadas para uma das famosas áreas de desenvolvimento (lembra-se, físico, intelectual, etc baboseira e tal?).
Besteira.
Lógico, como chefe escoteiro procuro aplicar atividades que tenham um “fundo”. Faço verdadeiras ginásticas mentais para elaborá-las. Ou muitas vezes simplesmente tiro do bolso alguma coisa da coleção que formei neste jornada que começou na década de 70 como escoteiro e na de 80 como chefe escoteiro.
Mas no final das contas a mensagem é o receptor. Quero dizer, eu elaboro uma atividade pensando em um fim, o meio muitas vezes traduz outro e o receptor (no caso o escoteiro) recebe ainda outro. Parece complicado, mas não é, eu é que estou fazendo propositadamente. Da mesma forma que os “dirigentes” o fazem.
Por isto volto a dizer o escotismo é simples, o chefe não é um super-homem, não é um gênio, não é um sábio. Um chefe é simplesmente uma pessoa, uma pessoa que ama o que faz, ama porque acredita, ama porque se diverte, ama porque ama.
Lógico, por ser um adulto, seu papel é cuidar da integridade das crianças, procurar ter segurança e ambiente saudável nas atividades.
Uma das reclamações que minha esposa tem, que por outro lado é o show que meus amigos esperam é muitas e muitas vezes acabo voltando “quebrado” dos acampamentos. Isto acontece pois sempre que vou aplicar uma atividade que envolva certo risco, sou o primeiro a testar a segurança dela. E quando não dá certo, sou eu quem acaba se machucando. Bom devido a idade estou passando este bastão para outro.
Lembro que certa vez construímos uma tirolesa invertida, ou seja, ao invés de descer por ela, o escoteiro seria puxado pelos amigos que estariam na parte alta. Pensamos que não seria necessário fazer um freio, uma vez que a tirolesa subiria, normalmente quando a tirolesa desce temos que fazer um freio com material elástico para evitar o impacto no final do trajeto. Montamos a engenhoca e eu fiquei cismado. Montei nela e pedi que me puxassem, durante a subida notei que em vários pontos eu arrastava o pé no chão. Pensei que por uma brincadeira os amigos do escoteiro que estava sendo puxado poderiam soltar a corda. Se isto acontecesse, precisaríamos ter um freio? Pensei enquanto subia que não, pois como estava arrastando o pé no chão poderia parar apenas ficando em pé.
Fui testar, quando estava quase chegando no topo pedi que me soltassem. Bom o resultado foi o seguinte. Devido à tração que era exercida pelo cabo que me puxava, o cabo de aço cedia ao meu peso e com isto eu tocava o pé no chão, mas na descida sem a tração mais a velocidade o cabo subiu e meus pés não tocaram o chão. A única coisa que me parou foi a árvore no final do percurso.
Mandei que colocassem o freio.
Enfim acabei entrando na questão da segurança nas atividades quando pretendia falar do que é ser escoteiro.
Por hoje é só pessoal, outro dia batemos mais uma papo sobre o assunto.
Por favor comentem, critiquem, deêm sugestões e se houve alguma coisa para elogiar, sinta-se a vontade também.
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